27 de out de 2011

DOUTRINA X USOS E COSTUMES

Temos a mesma fé, cremos no mesmo Deus e esperamos pelo mesmo Senhor...

Texto: Romanos 14.1-8:
Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar. Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.”

Boa tarde pessoal! Hoje vamos tratar de um assunto que acredito ser importante para os dias de hoje, a questão da doutrina x usos e costumes.
Primeiro temos que definir o que é doutrina e o que são usos e costumes.
Diferente do que muitos pensam doutrina não tem nada a ver com roupas, músicas a serem tocadas na igreja ou o que um cristão deve ou não fazer em sua vida pessoal. Muitos já me disseram: “Tal igreja é muito doutrinária, olha o jeito deles, as roupas que vestem!” Mas como diz a comediante: “Nada a ver tio”
Doutrina, definindo a palavra, quer dizer: Ensinamento, mandamento ou princípio. Usos e costumes podem ser definidos como estilo, cultura ou tradição.
Alguém pode me perguntar: Se doutrina é definido como ensinamento, então o que você citou como uso e costume não é doutrina? Não no sentido bíblico e na comunhão que compartilhamos dentro e fora da Igreja.
Vou explicar:
Doutrina se refere aos ensinamentos bíblicos fundamentais para a fé de um cristão. Por exemplo: Jesus Cristo veio a terra morrer pelos nossos pecados é um tipo de doutrina; O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade é outra doutrina; Todo cristão deve ser batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo também é doutrina e, pra finalizar, A volta de Jesus é doutrina. Existem muitos outros exemplos que eu poderia citar, mas por esses já entendemos que doutrinar é ensinar questões básicas e inegáveis da fé. Sobre esses e outros pontos, nenhum cristão pode discordar, pois, se assim o fizer, ele compromete todo o resto da Bíblia.
Por usos e costumes eu posso citar o exemplo dos judeus cristãos daquela época, e até mesmo os de hoje. Para os judeus comer qualquer tipo de carne de porco é inaceitável, pois eles as consideram impuras por causa da ordem de Deus no Antigo Testamento. Porém aquela ordem tinha sido para os judeus e não para o resto do mundo. Mas eles, até hoje, guardam esse preceito e, estão certos em fazê-lo, pois fazem com fé no mandamento de Deus. Agora nós, os que não somos judeus, se comermos ou não carne de porco, em nada afetará a nossa fé e comunhão com Deus. Se não comermos, é por opção nossa como fazem alguns, não por questões religiosas, mas por gosto.
Agora que já entendemos a diferença entre doutrina e usos e costumes, podemos seguir com a explicação do texto bíblico.
Paulo estava enfrentando um problema de falta de união com os romanos, pois havia entre eles os que não comiam nenhum tipo de carne e aqueles que comiam de tudo. Os que não comiam nenhum tipo de carne geralmente eram aqueles irmãos recém-convertidos que queriam fazer de tudo para se purificar, pois na cultura romana havia muito a questão de que carnes eram oferecidas a ídolos e falsos deuses. Também poderia haver naquela igreja os judeus, que não comiam carne de porco. Já os outros, os que comiam carne, entendiam que todo alimento era puro e vinha de Deus para o bem-estar do homem. Resumindo, eles oravam agradecendo a Deus pelo alimento e mandavam ver! rsrs
Outro problema entre eles era que os mesmos que não comiam carne, faziam questão de separar um dia em especial para Deus, já os outros entendiam que qualquer dia é dia de louvar a Deus. Eles ficavam indignados uns com os outros por causa dessas divergências de pensamentos. Uns ficavam bravos pela falta de sensibilidade do irmão em comer carne e não ter a capacidade de separar um dia para o louvor a Deus, enquanto os outros riam deles por serem tão “crentes”. Quanta bobagem!
Por isso o apóstolo Paulo escreve essas palavras, para que eles pudessem esquecer essas divergências e vivessem em amor. Paulo diz que tanto um quanto o outro está certo em fazer o que faz, pois faz com fé em Deus, e que um não deveria julgar o outro, pois cada um dará conta de si mesmo a Deus (v. 12).
Mas o que isso tem a ver com doutrinas e usos e costumes? Cada grupo ali acreditava estar fazendo o correto, e acreditava que o outro grupo agia de forma errada prejudicando assim a própria fé. Paulo corrige isso e coloca essas questões como secundárias e diz que não afeta a fé de ninguém, pelo contrário, cada um seja espiritual da forma que achar melhor desde que não afete a liberdade do irmão.
Hoje em dia não há mais conflitos sobre alimentos serem puros ou não, ou mesmo se devo separar um dia em especial pra adorar a Deus, ou se devo usar todos. Com o passar do tempo, essas questões citadas foram perdendo espaço para outras, como por exemplo se eu devo orar alto ou baixo. Parece ser uma questão boba, mas garanto que há bastante discussão sobre isso.
Já ouvi alguns dizerem que não se sentiram bem dentro de uma igreja porque lá as pessoas oravam baixo demais, sendo assim, a pessoa se sentia retraída por não poder orar alto. Por outro lado, existem aqueles que criticam os irmãos do “fogo” por orarem alto demais, resumindo assim a sua fé em uma baixaria.
Agora para pra pensar: Aonde nós chegamos? Aonde queremos chegar com isso? Qual é o nosso propósito com tanta divergência? O pior de tudo é que nos escondemos atrás da Bíblia e tentamos achar argumentos e versículos que provem que agimos da forma certa e o outro da forma errada e nos esquecemos do principal mandamento, o amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Marcos 12.29-31). Sabemos que tanto um lado da moeda quanto o outro tem seus exageros. Da mesma forma que alguém pode orar alto demais a ponto de incomodar a igreja toda, o outro pode simplesmente baixar a cabeça e fingir uma espiritualidade que não tem. Mas de qualquer forma, quem somos nós para julgar o que o nosso irmão faz para Deus? Deixemos o amor tomar conta de nossas vidas.
Outro exemplo bem comum aos nossos dias é a questão da musica dentro da igreja. Quanta falta de respeito da parte de alguns por causa desse tema! Me lembro uma vez quando eu fazia parte da programação de rádio dos jovens da minha igreja, que estávamos tocando um rap gospel. Foi quando uma senhora nos ligou e começou a falar um monte de abobrinha sobre as músicas que tocávamos na nossa programação. Por outro lado, sempre tinham os que ligavam nos agradecendo porque certas músicas faziam bem ao espírito deles pela mensagem que elas passavam. Ninguém é obrigado a gostar de rock, rap, forró, sertanejo ou qualquer outro tipo de música gospel que não queira gostar, mas respeite e aja com amor sabendo que esses mesmos estilos elevam algumas pessoas ao nível da adoração a Deus.
Se uma pessoa está adorando a Deus, não importa como ou a qual grupo pertence, ela faz com a fé que tem e não deve ser desprezada por isso. Temos a mesma fé, cremos no mesmo Deus e esperamos pelo mesmo Senhor, então porque ficar se preocupando com esse tipo de coisa, vamos nos preocupar em influenciar mais e mais pessoas a fazer o bem e a abandonar o mal.
Para finalizar, Paulo nos dá a solução para que sobre estas questões, a gente consiga viver em paz mesmo um não concordando com o outro. Se eu sei que ouvir certo tipo de música, ou orar alto demais, ou ter alguma atitude desse tipo, vai de alguma forma prejudicar a fé do meu irmão, então estas coisas que eu tenho por certo, eu farei longe dele, pois o que mais me importa é ver o meu irmão firme e forte do que provar que eu estou certo e que a minha fé continua intacta. Saber que uma atitude prejudica a fé do meu irmão e ainda assim praticá-la perto dele é um desvio de caráter.
Sendo assim, vamos nos esforçar para compreender o nosso irmão e amá-lo como Jesus nos amou.
Quero encerrar esse post com duas citações; A primeira é de Agostinho: “Nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade.” A segunda é do nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem não é contra nós, é por nós”.
Que Deus abençoe vocês, até breve...

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